Conheça a floresta do escritor Augusto Cury

Campeão de vendas de livros, o médico psiquiatra é o maior plantador de mogno-africano do país

Um homem rico não é aquele que tem dinheiro. Um homem rico é aquele que faz muito com o pouco que tem. Repetindo esse mantra, o escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, um dos autores mais lidos da década, com 25 milhões de livros vendidos em 70 países, caminha tranquilo por uma de suas florestas em Prata (MG). A área, de 600 hectares, abriga um grande plantio de mogno-africano e é um dos lugares onde ele busca inspiração para suas obras. “Aqui eu me reciclo”, diz o escritor, que, entre um passo e outro, aprecia “a orquestra das folhas sob a regência do maestro vento” e conta sua história. “É o verdadeiro som da paz e do equilíbrio da mente”, afirma.

Augusto é atualmente o maior plantador de mogno-africano do Brasil. Começou a investir em reflorestamento em meados de 2005, quando comprou propriedades rurais no Triângulo Mineiro. Nas fazendas Serra Branca e Áfrika, que até então eram repletas de pastos degradados, apostou no plantio de 600 hectares da espécie, com a finalidade de produzir madeiras nobres e reduzir a pressão sobre a Amazônia; 700 hectares de seringueiras, para extrair o látex; e 8 hectares de mogno-brasileiro, “para apreciar”. A essa empreitada ele deu o nome de Projeto Florestas. Em outra área, cria gado senepol. “Reflorestar uma grande área é um sonho, um dever como produtor rural e figura pública, e a escolha do mogno-africano foi muito estratégica”, diz.

Além do potencial socioeconômico da floresta, os negócios rurais de Augusto Cury têm a ver com a teoria da inteligência multifocal, criada por ele nos anos 1990 e hoje aplicada em um sistema de ensino infantojuvenil que já alcançou 250 mil estudantes. Ele se inspirou na fauna brasileira para ensinar aos alunos o controle da mente. “É um programa de educação socioemocional que gera educação ambiental: cada animal luta por sua espécie, simbolizando os seres humanos defendendo suas filosofias, religiões, posicionamento político, famílias. Mas, nessa competição, eles se esquecem de cuidar do ecossistema e a floresta deles pega fogo, acaba. Então, eles precisaram se reconstruir, se reciclar para sobreviver, conviver harmonicamente para alcançar o tão almejado sucesso”, diz ele.

Fazendo uma alusão à reconstrução e à reciclagem do pensamento e das emoções, ele compara o método ao funcionamento de uma floresta – a folha cai, apodrece, fertiliza o solo para o novo cultivo – e conta como o contato com a natureza pode combater a ansiedade e a depressão. “Vivemos a era dos mendigos emocionais: pessoas ansiosas, correndo, em estado constante de alerta. Quando você entra em contato com a natureza, estabelece uma conexão positiva na mente”, diz. “Percebendo a importância da natureza na mente humana,  decidi investir nas duas pontas: educação e meio ambiente.”

FLORESTAS EM CRESCIMENTO

As florestas de mogno-africano no Brasil ocupam uma área ainda pequena, de 28.000 hectares, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano (ABPMA). Para se ter uma ideia, a área reflorestada com eucalipto, conforme dados do relatório anual do Instituto Brasileiro de Árvores (Ibá), em 2016 foi de 5,7 milhões de hectares e com pínus, 1,6 milhão de hectares. “Ainda são áreas pequenas, que vão de 50 a 100 hectares, mas estão se

expandindo num ritmo acelerado”, diz Patrícia Fonseca, diretora executiva da ABPMA. Segundo ela, a maioria dos plantios está em Minas Gerais, mas o crescimento tem sido forte na Região Centro-Oeste.

Os produtores estão apostando na cultura “aos poucos”, explica o consultor Higino Aquino, do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), de Londrina (PR). “Os plantios existentes estão instalados em áreas pequenas ou médias e aumentam em torno de 10 hectares por ano”, diz Higino. Em Prata, Augusto Cury começou com 30 hectares, em 2006, passou para 220 hectares, em 2008, 500 hectares, em 2011, e para 600 hectares, em 2014. No ano que vem, chegará a 700 hectares. Bem diferente da floresta de seringueira, árvore que não tem a finalidade de produzir madeira e que foi toda implantada de uma só vez.

Mogno (Foto:  )

Higino diz que escalonar o plantio é uma estratégia mercadológica interessante e válida. “O planejamento escalonado é fundamental porque o mogno-africano leva em torno de 14 anos para começar a dar retorno e 21 anos para atingir o corte final. O investidor precisa escalonar plantio e cortes pois o mercado (no caso do mogno, os mercados europeu e americano) exige regularidade”, afirma.

Augusto conta que, até decidir qual espécie de árvore iria plantar, estudou muito. Ele queria uma espécie que capturasse gás carbônico e fosse  rústica e emblemática. Mas nascido e criado em uma fazenda em Colina, no interior de São Paulo, ele sabia que não bastava querer – a espécie tinha de ser adaptável às condições de clima e solo do local.

“Analisei o cultivo de teca, que tem um ciclo mais longo. Investimos em um pequeno plantio de mogno-brasileiro, que se mostrou inviável, devido à broca das ponteiras (praga que provoca excesso de galhos que nascem no fuste), até chegarmos ao mogno-africano Khaya ivorensis”, diz. “Também tentamos o Khaya senegalensis, mas essa escolha tem de ser baseada nos índices pluviométricos da região.”

Por conta desses testes, as fazendas Serra Branca e Áfrika têm remanescentes de florestas mistas, de mogno-brasileiro, duas variedades de mogno-africano (além da Khaya ivorensis e Khaya senegalensis, ainda existe a Khaya anthoteca), teca e árvores nativas. “Não vamos derrubar”, afirma Augusto, que consegue visitar a área “mais ou menos” a cada três meses, quando tem uma brecha na agenda.

Atualmente, ele mora nos Estados Unidos, onde ministra palestras no Vale do Silício e trata de negócios com a turma de Hollywood. Uma de suas obras, O vendedor de sonhos, que já foi para o cinema em 2016, sob a direção de Jayme Monjardim, vai virar seriado. O ator e produtor Jim Carrey vai produzir a série e a Warner Bros. pretende fazer séries baseadas em outros dois livros seus. Quem toca a fazenda é a filha, Cláudia Cury, que é agrônoma, e dois funcionários. “Eles passaram parte de suas vidas plantando essas árvores, lidando com os problemas e encontrando soluções. São especialistas que abraçaram a causa, ou melhor, que abraçaram essas árvores.”

Mogno (Foto:  )
Mogno (Foto:  )
GUERRA À RAINHA

O mogno-africano chegou ao Brasil por intermédio do ministro da Agricultura da Costa do Marfim em 1973. Ítalo Claudio Falesi, pesquisador da Embrapa Oriental, em Belém (PA), recebeu um punhado de sementes, tiradas do bolso de uma túnica colorida, de presente. “A comitiva visitou a região amazônica e passou pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, que hoje é a Embrapa. Ele enfiou a mão no bolso, tirou as sementes e me deu. Disse que era ouro verde, ouro do futuro”, lembra o pesquisador, que no outro dia as plantou. “Hoje, são seis árvores de grande porte, com cerca de 30 metros de altura, 1,30 metro de diâmetro, que estão com 44 anos de idade”, diz ele. “São as matrizes das florestas de mogno-africano no Brasil.”

Ítalo se aposentou da Embrapa, mas  não do mogno-africano. Hoje, ele é produtor, comercializa sementes (o quilo pode custar R$ 3 mil) para viveiros (a muda, em média, custa R$ 5) e dedica-se a estudar as pragas que podem atacar a espécie. E elas são poucas, afirma: formiga, abelha arapuá e broca. “As formigas-cortadeiras são a maior ameaça e o motivo de muitos produtores terem desistido do cultivo”, diz ele.

Lá em Prata, elas quase conseguiram com que Augusto Cury ficasse maluco. “Conseguimos controlar as formigas depois de apanhar muito delas”, lembra o psiquiatra. “Chamamos especialistas, colocamos armadilhas e tudo o que diziam que era bom, mas fomos mais insistentes e resilientes que elas e a certa altura, com o equilíbrio do ambiente, elas desistiram”. As abelhas e as brocas, segundo Ítalo, são pragas de fácil controle. “Para acabar com a formiga, é preciso acabar com a rainha, senão elas te enganam e, quando você acha que controlou, elas põem o exército de volta na floresta.”

Mogno (Foto:  )
LUCRO AOS 14 ANOS

De ciclo longo, o mogno-africano leva em torno de 20 anos para poder ser cortado, mas precisa passar por desbastes ao longo do ciclo. “Os desbastes eliminam os indivíduos mais fracos ou com defeitos, abrindo espaço para que os bons possam se desenvolver melhor”, explica Higino Aquino, que recomenda desbastar a floresta três vezes.

O lucro, de acordo com o consultor, só começará a vir a partir dos 14 anos de implantação. “A receita média por hectare gira em torno de R$ 390 mil com a venda da madeira dos desbastes”, diz. “O lucro líquido ao longo do ciclo é de R$ 1,032 milhão.”

Segundo o IBF, o investimento inicial por hectare gira em torno de R$ 17 mil e a manutenção em torno de R$ 4.900. “Tudo depende do manejo”, alerta.

Mogno (Foto:  )

Iniciar a plantação, segundo Higino, segue as mesmas regras de qualquer plantio florestal: correção de solo, aquisição de mudas com boa genética (a Embrapa começou a estudar o melhoramento genético do mogno-africano) e manejo constante. “Muita gente acha que plantar árvores é só ir lá, plantar e abandonar, mas não é assim. O cultivo merece ser tratado como uma lavoura”, afirma. “Pelo menos até o quinto ano, o manejo exige dedicação.”

Um manejo bem-feito nos primeiros anos da floresta é fundamental para se obter uma madeira de boa qualidade no final do ciclo. O mogno-africano é uma das madeiras mais requisitadas do mercado externo e o metro cúbico (de madeira serrada e seca) pode chegar a custar US$ 1.000. Em média, uma árvore pode originar 386 metros cúbicos.

Mogno (Foto:  )
Mogno (Foto:  )

As boas árvores são aquelas que têm um fuste liso, retilíneo, e uma altura entre 8 e 12 metros. “A demanda por madeira nobre nos Estados Unidos e na Europa só aumenta. Eles precisam de madeiras boas e resistentes como o mogno para suas casas (devido ao frio) e gostam de móveis refinados, produzidos com madeiras nobres. Uma mesa pode custar R$ 60 mil”, afirma o consultor.

Ele diz ainda que há duas partes da árvore que são supervalorizadas, podendo elevar o preço em até dez vezes: a raiz e as forquilhas. “São partes que possuem desenho único, apreciado pelo mercado de design de móveis, automobilístico (revestimento de carros de luxo), instrumentos musicais e construção civil”, diz ele. “Alguns instrumentos musicais são feitos de peças inteiras de mogno-africano e são considerados os melhores do mundo. Os mais caros também.”

De família tradicional no setor cafeeiro, o empresário Leonardo Tavares apostou no cultivo integrado de café com mogno-africano. Ele comprou a Fazenda Primavera em 2010 para cultivar o grão e, como seu pai, Ricardo Montesanto Tavares, já plantava 500 hectares de mogno-africano em Pirapora (MG), apostou na espécie para suprir uma demanda do cafezal: o sombreamento. “A floresta de mogno foi plantada com o café para garantir mais qualidade aos grãos, que precisam de sombra”, explica.

Mogno (Foto:  )

Leonardo diz que a floresta protege o café das inversões térmicas, típicas da região, onde durante o dia faz muito calor e à noite muito frio. “A primeira safra colhida após a integração foi premiada pela alta qualidade”, conta o empresário, que vende 100% do café no mercado externo, com o nome de Mahogany Coffee. Na safra de 2016, ele colheu 18 mil sacas.

Patrícia Fonseca, da ABPMA, diz que não é só o café que tem obtido sucesso em integrações com o mogno-africano e há produtores apostando na integração com pimenta-do-reino, mamão e gado em muitas regiões brasileiras. João Emílio Duarte, consultor da associação, diz que a pimenta-do-reino e o mamão podem ajudar o produtor a obter renda nos primeiros anos de cultivo. Quando as árvores já estiverem grandes e suas copas sombrearem totalmente a área, é possível inserir o gado na floresta.

Higino Aquino, do IBF, diz que os modelos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) conhecidos são diversos e ainda experimentais. “O ideal é plantar renques de leste para oeste, o que permite entrada de luz e ir desbastando conforme o manejo convencional”, ensina. “Há modelos com renques distantes 18 ou 36 metros uns dos outros, mas ainda é possível descobrir muitos modelos novos”, afirma Higino.

Higino diz que escalonar o plantio é uma estratégia mercadológica interessante e válida. “O planejamento escalonado é fundamental porque o mogno-africano leva em torno de 14 anos para começar a dar retorno e 21 anos para atingir o corte final. O investidor precisa escalonar plantio e cortes pois o mercado (no caso do mogno, os mercados europeu e americano) exige regularidade”, afirma.

Augusto conta que, até decidir qual espécie de árvore iria plantar, estudou muito. Ele queria uma espécie que capturasse gás carbônico e fosse  rústica e emblemática. Mas nascido e criado em uma fazenda em Colina, no interior de São Paulo, ele sabia que não bastava querer – a espécie tinha de ser adaptável às condições de clima e solo do local.

“Analisei o cultivo de teca, que tem um ciclo mais longo. Investimos em um pequeno plantio de mogno-brasileiro, que se mostrou inviável, devido à broca das ponteiras (praga que provoca excesso de galhos que nascem no fuste), até chegarmos ao mogno-africano Khaya ivorensis”, diz. “Também tentamos o Khaya senegalensis, mas essa escolha tem de ser baseada nos índices pluviométricos da região.”

Por conta desses testes, as fazendas Serra Branca e Áfrika têm remanescentes de florestas mistas, de mogno-brasileiro, duas variedades de mogno-africano (além da Khaya ivorensis e Khaya senegalensis, ainda existe a Khaya anthoteca), teca e árvores nativas. “Não vamos derrubar”, afirma Augusto, que consegue visitar a área “mais ou menos” a cada três meses, quando tem uma brecha na agenda.

Atualmente, ele mora nos Estados Unidos, onde ministra palestras no Vale do Silício e trata de negócios com a turma de Hollywood. Uma de suas obras, O vendedor de sonhos, que já foi para o cinema em 2016, sob a direção de Jayme Monjardim, vai virar seriado. O ator e produtor Jim Carrey vai produzir a série e a Warner Bros. pretende fazer séries baseadas em outros dois livros seus. Quem toca a fazenda é a filha, Cláudia Cury, que é agrônoma, e dois funcionários. “Eles passaram parte de suas vidas plantando essas árvores, lidando com os problemas e encontrando soluções. São especialistas que abraçaram a causa, ou melhor, que abraçaram essas árvores.”

Mogno (Foto:  )
Mogno (Foto:  )
GUERRA À RAINHA

O mogno-africano chegou ao Brasil por intermédio do ministro da Agricultura da Costa do Marfim em 1973. Ítalo Claudio Falesi, pesquisador da Embrapa Oriental, em Belém (PA), recebeu um punhado de sementes, tiradas do bolso de uma túnica colorida, de presente. “A comitiva visitou a região amazônica e passou pelo Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, que hoje é a Embrapa. Ele enfiou a mão no bolso, tirou as sementes e me deu. Disse que era ouro verde, ouro do futuro”, lembra o pesquisador, que no outro dia as plantou. “Hoje, são seis árvores de grande porte, com cerca de 30 metros de altura, 1,30 metro de diâmetro, que estão com 44 anos de idade”, diz ele. “São as matrizes das florestas de mogno-africano no Brasil.”

Ítalo se aposentou da Embrapa, mas  não do mogno-africano. Hoje, ele é produtor, comercializa sementes (o quilo pode custar R$ 3 mil) para viveiros (a muda, em média, custa R$ 5) e dedica-se a estudar as pragas que podem atacar a espécie. E elas são poucas, afirma: formiga, abelha arapuá e broca. “As formigas-cortadeiras são a maior ameaça e o motivo de muitos produtores terem desistido do cultivo”, diz ele.

Lá em Prata, elas quase conseguiram com que Augusto Cury ficasse maluco. “Conseguimos controlar as formigas depois de apanhar muito delas”, lembra o psiquiatra. “Chamamos especialistas, colocamos armadilhas e tudo o que diziam que era bom, mas fomos mais insistentes e resilientes que elas e a certa altura, com o equilíbrio do ambiente, elas desistiram”. As abelhas e as brocas, segundo Ítalo, são pragas de fácil controle. “Para acabar com a formiga, é preciso acabar com a rainha, senão elas te enganam e, quando você acha que controlou, elas põem o exército de volta na floresta.”

Mogno (Foto:  )
LUCRO AOS 14 ANOS

De ciclo longo, o mogno-africano leva em torno de 20 anos para poder ser cortado, mas precisa passar por desbastes ao longo do ciclo. “Os desbastes eliminam os indivíduos mais fracos ou com defeitos, abrindo espaço para que os bons possam se desenvolver melhor”, explica Higino Aquino, que recomenda desbastar a floresta três vezes.

O lucro, de acordo com o consultor, só começará a vir a partir dos 14 anos de implantação. “A receita média por hectare gira em torno de R$ 390 mil com a venda da madeira dos desbastes”, diz. “O lucro líquido ao longo do ciclo é de R$ 1,032 milhão.”

Segundo o IBF, o investimento inicial por hectare gira em torno de R$ 17 mil e a manutenção em torno de R$ 4.900. “Tudo depende do manejo”, alerta.

Mogno (Foto:  )

Iniciar a plantação, segundo Higino, segue as mesmas regras de qualquer plantio florestal: correção de solo, aquisição de mudas com boa genética (a Embrapa começou a estudar o melhoramento genético do mogno-africano) e manejo constante. “Muita gente acha que plantar árvores é só ir lá, plantar e abandonar, mas não é assim. O cultivo merece ser tratado como uma lavoura”, afirma. “Pelo menos até o quinto ano, o manejo exige dedicação.”

Um manejo bem-feito nos primeiros anos da floresta é fundamental para se obter uma madeira de boa qualidade no final do ciclo. O mogno-africano é uma das madeiras mais requisitadas do mercado externo e o metro cúbico (de madeira serrada e seca) pode chegar a custar US$ 1.000. Em média, uma árvore pode originar 386 metros cúbicos.

Mogno (Foto:  )
Mogno (Foto:  )

As boas árvores são aquelas que têm um fuste liso, retilíneo, e uma altura entre 8 e 12 metros. “A demanda por madeira nobre nos Estados Unidos e na Europa só aumenta. Eles precisam de madeiras boas e resistentes como o mogno para suas casas (devido ao frio) e gostam de móveis refinados, produzidos com madeiras nobres. Uma mesa pode custar R$ 60 mil”, afirma o consultor.

Ele diz ainda que há duas partes da árvore que são supervalorizadas, podendo elevar o preço em até dez vezes: a raiz e as forquilhas. “São partes que possuem desenho único, apreciado pelo mercado de design de móveis, automobilístico (revestimento de carros de luxo), instrumentos musicais e construção civil”, diz ele. “Alguns instrumentos musicais são feitos de peças inteiras de mogno-africano e são considerados os melhores do mundo. Os mais caros também.”

De família tradicional no setor cafeeiro, o empresário Leonardo Tavares apostou no cultivo integrado de café com mogno-africano. Ele comprou a Fazenda Primavera em 2010 para cultivar o grão e, como seu pai, Ricardo Montesanto Tavares, já plantava 500 hectares de mogno-africano em Pirapora (MG), apostou na espécie para suprir uma demanda do cafezal: o sombreamento. “A floresta de mogno foi plantada com o café para garantir mais qualidade aos grãos, que precisam de sombra”, explica.

Mogno (Foto:  )

Leonardo diz que a floresta protege o café das inversões térmicas, típicas da região, onde durante o dia faz muito calor e à noite muito frio. “A primeira safra colhida após a integração foi premiada pela alta qualidade”, conta o empresário, que vende 100% do café no mercado externo, com o nome de Mahogany Coffee. Na safra de 2016, ele colheu 18 mil sacas.

Patrícia Fonseca, da ABPMA, diz que não é só o café que tem obtido sucesso em integrações com o mogno-africano e há produtores apostando na integração com pimenta-do-reino, mamão e gado em muitas regiões brasileiras. João Emílio Duarte, consultor da associação, diz que a pimenta-do-reino e o mamão podem ajudar o produtor a obter renda nos primeiros anos de cultivo. Quando as árvores já estiverem grandes e suas copas sombrearem totalmente a área, é possível inserir o gado na floresta.

Higino Aquino, do IBF, diz que os modelos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) conhecidos são diversos e ainda experimentais. “O ideal é plantar renques de leste para oeste, o que permite entrada de luz e ir desbastando conforme o manejo convencional”, ensina. “Há modelos com renques distantes 18 ou 36 metros uns dos outros, mas ainda é possível descobrir muitos modelos  novos”, afirma Higino

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