Criação de bezerras: qual o maior desafio? Confira a opinião de 4 especialistas

Se existe uma fase frágil, trabalhosa e custosa na produção leiteira, essa fase é a criação de bezerras. O retorno do investimento não é imediato, erros simples podem levar os animais ao óbito e os criadores devem usar sua máxima atenção para enxergar detalhes que podem prejudicar o futuro do rebanho.

Nesta fase, existem inúmeros cuidados e técnicas de manejo para serem aprimorados em uma propriedade: da colostragem à cura do umbigo, do monitoramento da diarreia ao escore nutricional, da identificação de doenças (como a Tristeza Parasitária Bovina) às melhorias no bem-estar. Tudo isso pode deixar os criadores confusos sobre como direcionar os esforços nesta fase, e quais seriam seus impactos na produção futur

Drª Viviani Gomes
Professora da FMVZ-USP

“O principal desafio na criação de bezerras é mantê-las vivas, devido a sua fragilidade em relação aos microrganismos causadores de doenças, especialmente diarreia, doença respiratória e tristeza parasitária bovina. Estes desafios podem ser superados com adequados protocolos de manejo, nutrição e sanidade, que garantam conforto, bem-estar, condições para crescimento e baixos índices de doenças. Estas medidas, em conjunto, garantem o desempenho futuro dos animais, representado por precocidade reprodutiva e maior produção de leite.”

Drª Carla Bittar
Professora da ESALQ/USP

“A criação de bezerras como um todo é um grande desafio. Tanto porque os animais são bastante susceptíveis a doenças, como porque a nutrição e o consequente ganho de peso vão determinar sua produtividade futura. Mas, se fosse para escolher o maior desafio de todos, escolheria a colostragem. Este ainda tem sido um dos gargalos da maior parte das propriedades, resultando em altas taxas de morbidade e mortalidade, trazendo grandes prejuízos econômicos aos sistemas produtivos. Assim, entender os fatores que afetam a eficiência da colostragem é o primeiro passo para o estabelecimento de protocolos adequados. Além do treinamento dos funcionários, para fornecer colostro em tempo, qualidade e volume adequados, deve-se fazer o monitoramento de todas estas informações, juntamente com a avaliação do bezerro, permitindo ajustes nos protocolos”. 

Dr. Welber Daniel Zanetti Lopes
Professor da Universidade Federal de Goiás

“O maior desafio em relação às bezerras desmamadas, certamente, é a Tristeza Parasitária Bovina, uma das maiores causas de mortalidade nesta fase. Para minimizar este problema, as fazendas devem ter uma grande vigilância sobre esse setor. Os animais precisam entrar em contato com o carrapato e, consequentemente, com os agentes da TPB, para que possam desenvolver a imunidade necessária. Entretanto, em alguns casos, principalmente em grandes fazendas, é preciso lançar mão de medidas de monitoramento preventivo e rotineiro nesta categoria animal, seja pela aferição da temperatura retal ou da análise do volume globular, para poder fazer o tratamento preventivo o mais precocemente possível. E isso tanto para tratamento específico contra agentes da TPB, como também tratamento de suporte, tão importante para recuperação dos animais.”

Drª Lívia Magalhães
Pesquisadora do Grupo ETCO, Especialista em Bem-Estar Animal

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